
Alergia
Alergia aos ácaros: porque piora no outono e o que fazer
Nariz entupido ao acordar, espirros, tosse à noite? A alergia aos ácaros agrava-se no outono. Saiba porquê, o que ajuda em casa e quando pensar em imunoterapia.
Muitas pessoas associam a alergia à primavera e aos pólenes. Mas há quem piore precisamente quando o tempo arrefece. Se acorda com o nariz entupido, espirra logo de manhã ou tosse durante a noite, os ácaros do pó da casa podem ser a explicação.
O que são os ácaros
São pequenos animais, invisíveis a olho nu, que vivem no pó da casa e se alimentam das partículas de pele que perdemos todos os dias. Gostam de calor e humidade e concentram-se sobretudo nos colchões, almofadas, edredões, sofás estofados, alcatifas e peluches.
O que provoca a alergia não é o ácaro em si, mas proteínas presentes nas suas fezes e nos restos dos ácaros mortos. Estas partículas misturam-se com o pó e entram no nariz e nos brônquios sempre que ficam no ar.
Porque piora no outono
- Passamos mais tempo dentro de casa, e por isso mais horas expostos.
- Arejamos menos. Com as janelas fechadas, a humidade e os alergénios acumulam-se.
- A humidade interior aumenta. Em muitas casas portuguesas, mal isoladas e pouco aquecidas, há condensação nas janelas e cheiro a humidade, condições em que os ácaros prosperam.
- Voltam as mantas e os edredões, guardados durante o verão, que acumulam ácaros e se lavam com menos frequência.
- As infeções respiratórias são mais frequentes, e uma via aérea já inflamada pela alergia reage mais a vírus.
Como se manifesta
No nariz: espirros em salva, comichão, nariz a pingar ou entupido, sobretudo ao acordar. Nos olhos: comichão e lacrimejo. Nos brônquios: tosse, aperto no peito, pieira ou falta de ar, especialmente à noite.
A rinite alérgica e a asma andam muitas vezes juntas. Tratar bem o nariz faz parte de tratar bem a asma. 1 E uma rinite que parece "só nariz" pode estar a esconder sintomas brônquicos que vale a pena avaliar.
Como se confirma
O diagnóstico parte da história clínica e confirma-se com testes de alergia, cutâneos ou por análise ao sangue. Quando há tosse, pieira ou falta de ar, a espirometria e o restante estudo da função respiratória ajudam a perceber se os brônquios também estão envolvidos.
O que ajuda em casa
As medidas de controlo ambiental fazem sentido, mas com expectativas realistas. Quando usadas isoladamente, os estudos não mostraram um benefício consistente nos sintomas da asma. 2 Funcionam melhor como parte de um plano de tratamento, e não como substituto. As mais úteis:
- Arejar o quarto todos os dias, mesmo no inverno, durante dez a quinze minutos.
- Lavar lençóis e fronhas semanalmente, a 60 °C.
- Usar capas antiácaros no colchão e nas almofadas.
- Reduzir peluches, tapetes e alcatifas no quarto.
- Aspirar com um aspirador com filtro HEPA, de preferência quando a pessoa alérgica não está presente.
- Controlar a humidade: evitar secar roupa dentro de casa e, se necessário, usar um desumidificador.
O tratamento
O tratamento tem dois objetivos: controlar os sintomas e reduzir a inflamação. Pode incluir anti-histamínicos, corticoides nasais e, quando há asma, medicação inalada adequada ao nível de controlo.
Para algumas pessoas existe também a imunoterapia específica com alergénios, a que muitos chamam "vacinas da alergia". Consiste em administrar o alergénio de forma regular e controlada, sob a língua ou por injeção, para que o organismo se torne progressivamente mais tolerante. 3 A decisão de a iniciar é sempre individual e tomada em consulta.
Quando procurar ajuda
Se os sintomas se repetem todos os outonos, se acorda com tosse ou falta de ar, ou se a medicação de farmácia já não chega, vale a pena fazer uma avaliação. Perceber a que é alérgico é o primeiro passo para escolher o tratamento certo.
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Referências
- Brożek JL, et al. Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) guidelines: 2016 revision. J Allergy Clin Immunol. 2017;140(4):950–958.
- Gøtzsche PC, Johansen HK. House dust mite control measures for asthma. Cochrane Database Syst Rev. 2008;(2):CD001187.
- Agache I, et al. EAACI Guidelines on Allergen Immunotherapy: house dust mite-driven allergic asthma. Allergy. 2019;74(5):855–873.
