Sono

Ressonar é normal? Quando pode ser apneia do sono

Ressonar não é sinal de sono profundo. Saiba quando o ressonar pode esconder uma apneia do sono, que sinais procurar e como se faz o diagnóstico.

Pessoa a dormir num quarto

"Ele ressona tanto que deve estar a dormir profundamente." Ouço esta frase com frequência, mas é um mito. Ressonar alto não é sinal de sono profundo. Pelo contrário: pode ser o sinal de que a respiração está a ter dificuldade em passar durante a noite.

Porque ressonamos

Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Se a via aérea fica mais estreita, o ar passa com turbulência e faz vibrar os tecidos moles: é esse o som do ressonar. Pode acontecer a qualquer pessoa, sobretudo depois de uma refeição pesada, de álcool, com o nariz entupido ou a dormir de barriga para cima.

O ressonar ocasional e suave é, na maior parte dos casos, inofensivo. O problema é quando o estreitamento é tal que a respiração diminui ou para por momentos.

O que é a apneia do sono

Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea fecha-se parcial ou totalmente várias vezes durante a noite. O oxigénio desce, o cérebro desperta por breves segundos para retomar a respiração, e o ciclo repete-se, por vezes dezenas de vezes por hora. A pessoa raramente se lembra destes despertares, mas o sono fica fragmentado e pouco reparador.

É uma doença muito mais frequente do que se pensa. Uma análise global estimou que cerca de mil milhões de adultos entre os 30 e os 69 anos terão apneia do sono, e muitos não estão diagnosticados. 1

Sinais a que deve estar atento

  • Ressonar alto e habitual, quase todas as noites.
  • Alguém reparou que para de respirar durante o sono.
  • Acordar com sensação de sufoco ou a engasgar-se.
  • Acordar cansado, mesmo depois de dormir as horas habituais.
  • Sonolência durante o dia, por exemplo ao conduzir ou em reuniões.
  • Dores de cabeça ao acordar, boca seca, levantar-se para urinar durante a noite.
  • Dificuldade de concentração ou irritabilidade.

Há fatores que aumentam a probabilidade: excesso de peso, perímetro do pescoço aumentado, hipertensão arterial, idade acima dos 50 anos e sexo masculino. 2

Nas mulheres, a apneia pode ser diferente

Nas mulheres, a apneia aparece com mais frequência depois da menopausa e manifesta-se muitas vezes de outra forma: menos ressonar, mais insónia, cansaço, dores de cabeça ou alterações do humor. Por isso, é mais vezes atribuída a outras causas e diagnosticada mais tarde. 3

Porque vale a pena investigar

Para além do cansaço, a apneia do sono não tratada está associada a hipertensão arterial, 4 a doença cardiovascular 5 e a alterações metabólicas. A sonolência diurna aumenta também o risco de acidentes. A boa notícia é que se trata de uma doença com diagnóstico simples e tratamento eficaz.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico faz-se com um estudo do sono, que regista a respiração, o oxigénio e outros parâmetros durante a noite. 6 Na maioria dos casos pode ser feito em casa, com um aparelho portátil (estudo do sono de nível III). Quando a situação é mais complexa, pode ser necessária uma polissonografia completa (estudo do sono de nível II), que avalia também a arquitetura do sono, e que também pode ser feita em casa.

E depois do diagnóstico?

O tratamento depende da gravidade e da causa. Pode incluir:

  • Perda de peso, quando indicado.
  • Evitar álcool e sedativos ao fim do dia.
  • Tratar a obstrução nasal, quando existe.
  • Terapêutica posicional, se a apneia surge sobretudo de barriga para cima.
  • Dispositivos de avanço mandibular, em casos selecionados.
  • CPAP, um aparelho que mantém a via aérea aberta durante a noite

Quando procurar ajuda

Se alguém lhe disse que para de respirar a dormir, ou se ressona e acorda cansado, vale a pena fazer uma avaliação. Muitas vezes, uma única noite de estudo responde a perguntas que se arrastam há anos.

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Referências

  1. Benjafield AV, et al. Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea: a literature-based analysis. Lancet Respir Med. 2019;7(8):687–698.
  2. Chung F, Abdullah HR, Liao P. STOP-Bang Questionnaire: a practical approach to screen for obstructive sleep apnea. Chest. 2016;149(3):631–638.
  3. Bonsignore MR, Saaresranta T, Riha RL. Sex differences in obstructive sleep apnoea. Eur Respir Rev. 2019;28(154):190030.
  4. Peppard PE, et al. Prospective study of the association between sleep-disordered breathing and hypertension. N Engl J Med. 2000;342(19):1378–1384.
  5. Yeghiazarians Y, et al. Obstructive sleep apnea and cardiovascular disease: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2021;144(3):e56–e67.
  6. Kapur VK, et al. Clinical practice guideline for diagnostic testing for adult obstructive sleep apnea: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479–504.
  7. Patil SP, et al. Treatment of adult obstructive sleep apnea with positive airway pressure: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2019;15(2):335–343.

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